Sempre fui alucinada por chocolate. São tantas histórias que fica difícil escolher apenas uma. Mas lembrei de uma passagem quando eu tinha uns 12 anos. Certa vez, minha mãe comentava com algumas vizinhas e amigas que tinha visto na TV uma reportagem sobre viciados em tratamento numa clínica. Ela contava com pesar sobre as imagens que tinha visto. Com isso todos compartilhavam desse sentimento. Em meio a um silêncio de reflexão, a “pirralha” (eu) falou em alto e bom som: “Sabe mãe, eu também sou viciada!”. Não esqueço o rosto de todas naquela rodinha, especialmente o da minha mãe, que não sabia se chorava, se me tirava dali, se falava alguma coisa. Antes que alguém se manifestasse, eu mesma disse: “não posso passar um dia sequer sem comer confeitos de chocolate”. Mais uma vez, a expressão daquelas senhoras foi algo inesquecível, uma mistura de alívio e riso. Mas, da minha mãe veio uma lição de moral, para jamais falar uma coisa dessas sem antes avisá-la primeiro. Na hora eu não entendi nada, achei que estava fazendo uma revelação e que seria internada para combater o vício. No dia seguinte, minha mãe – já mais calma – me acordou com um saco imenso de confeito de chocolate! Foi um dos dias mais felizes da minha vida, e o chocolate foi o protagonista da história.
Ana Paula Parolo Amabile
Tags: Loucuras
Amendoim caramelizado, alfenim, frutas cristalizadas, são tantas as delícias que adoçam a vida, que não me canso de perder-me num docinho de abóbora, neta de uma cozinheira de mão cheia, cresci entre bolos e tortas, fui sempre a mais rechonchudinha da família, quando algo ia ser preparado, de imediato me infiltrava na cozinha e ficava à espera para raspar a panela, mas um dia sem ninguém perceber me tranquei na despensa e devorei o pote de doce-de-leite com goiaba, para o desespero da minha mãe que passou a noite todinha comigo no banheiro, contudo, no dia seguinte, lá estava eu comendo banana frita com açúcar e canela, enquanto assistia a minha avó fazer docinhos de dar água na boca, e claro, eu sempre ali por perto, bastava a distração alheia e pegava um deles do prato: brigadeiro, olho de sogra, surpresa de uva, são tantas as gostosuras, que por doce confesso, sou mesmo capaz de fazer loucuras!
