Sempre fui alucinada por chocolate. São tantas histórias que fica difÃcil escolher apenas uma. Mas lembrei de uma passagem quando eu tinha uns 12 anos. Certa vez, minha mãe comentava com algumas vizinhas e amigas que tinha visto na TV uma reportagem sobre viciados em tratamento numa clÃnica. Ela contava com pesar sobre as imagens que tinha visto. Com isso todos compartilhavam desse sentimento. Em meio a um silêncio de reflexão, a “pirralha” (eu) falou em alto e bom som: “Sabe mãe, eu também sou viciada!”. Não esqueço o rosto de todas naquela rodinha, especialmente o da minha mãe, que não sabia se chorava, se me tirava dali, se falava alguma coisa. Antes que alguém se manifestasse, eu mesma disse: “não posso passar um dia sequer sem comer confeitos de chocolate”. Mais uma vez, a expressão daquelas senhoras foi algo inesquecÃvel, uma mistura de alÃvio e riso. Mas, da minha mãe veio uma lição de moral, para jamais falar uma coisa dessas sem antes avisá-la primeiro. Na hora eu não entendi nada, achei que estava fazendo uma revelação e que seria internada para combater o vÃcio. No dia seguinte, minha mãe – já mais calma – me acordou com um saco imenso de confeito de chocolate! Foi um dos dias mais felizes da minha vida, e o chocolate foi o protagonista da história.
Ana Paula Parolo Amabile
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